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Uma reflexão sobre a Quaresma

A Quaresma é uma tradição da Igreja Católica que se estabeleceu no século IV d.C., especificamente em 325, durante o primeiro Concílio de Niceia. Esse concílio foi um encontro de bispos para discutir questões fundamentais da fé cristã nos primeiros tempos da Igreja.

Durante esse concílio, o Credo Niceno foi formulado, representando uma declaração de fé cristã. Além disso, a data da Páscoa foi determinada com base no equinócio da primavera e nas fases da Lua. Foi também nesse concílio que a Quaresma foi mencionada pela primeira vez na história.

Um dos documentos produzidos nesse concílio mencionava a palavra tessarakonta, que em grego significa "quarenta". Portanto, a prática de jejuar e se penitenciar por 40 dias é considerada uma evolução das práticas cristãs ao longo da Antiguidade.

Quaresma é um tempo forte do ano litúrgico, onde os fiéis são instados a viverem um profundo recolhimento espiritual com práticas de jejum, oração e esmola. O tripé quaresmal não existiria sem esta consciência e essa clareza de entendimento: pela oração, nos relacionamos com Deus, de quem somos dependentes, pois somos seres inferiores; pela esmola somos chamados a dar as mãos aos irmãos, de quem somos iguais, nos abrindo à realidade da partilha; no jejum está a revelação e a compreensão de que somos superiores às coisas criadas com as quais não podemos criar dependência. Somos chamados à liberdade de filhos de Deus. Essa liberdade é uma conquista permanente que vamos adquirindo no esforço contra nossos apetites oferecidos pela nossa condição humana. A quaresma tem seu início marcado por uma exortação de Jesus, transmitida pela Igreja na quarta-feira de cinzas: “Convertei-vos e crede no Evangelho”!

    Os exercícios espirituais, tais como: abstinência de carne às sextas-feiras em memória da morte do Senhor, as liturgias penitenciais, as peregrinações em sinal de penitência são meios, desafiadores, que buscamos para agradar a Deus, uma vez que nos encaminha a um processo de conversão. Essa conversão ocorre quando tomamos coragem e decidimos mudar de atitudes e comportamentos inadequados e, sobretudo, reconhecemos e acolhemos o amor gratuito de Deus em sua ternura imensurável.

    A quaresma precisa ser vivida como uma grande escola de purificação e iluminação em busca do objetivo a ser alcançado que é a conversão. Para vivermos bem esse tempo, contamos com o auxílio indispensável da Santa Mãe Igreja que em sua pedagogia nos instrui com uma profunda catequese, nos abrindo a compreensão espiritual. Essa ajuda provém de diversos meios, especialmente da liturgia que nos remete aos grandes acontecimentos da história da salvação, canal de compreensão da economia da salvação.

    O Pai do céu nos quer todos como filhos, porque Ele é o Pai de todos e prepara a festa maior para os filhos que não podem ter uma festa. Certamente os mais pobres, os descartáveis da sociedade, os famintos e desvalidos.

    Todo esse caminho percorrido, justifica-se, tão somente, em virtude do grande acontecimento que é o centro do ano litúrgico e da vida cristã; o tríduo pascal. Com o tríduo pascal, encerra-se a Antiga Aliança e começa, para o novo povo de Deus, uma nova e eterna Aliança.


Diacono Geneval

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